Música causa polêmica e é acusada de fazer apologia ao estupro

A música “Só surubinha de leve”, de MC Diguinho, vai ser retirado do Spotify, depois de uma campanha que acusa o funk de apologia ao estupro. A canção tem versos “taca a bebida, depois taca a pica e abandona na rua”.

“O catálogo do Spotify é abastecido por centenas de milhares de gravadoras, artistas e distribuidoras em todo o mundo. Eles são devidamente avisados sobre nossas diretrizes e são responsáveis pelo conteúdo que entregam. Desta forma, informamos que contatamos a distribuidora da música “Só surubinha de leve” a respeito do ocorrido e, fomos informados que a faixa será retirada da plataforma nas próximas horas, uma vez que o tema foi trazido à nossa atenção”, diz nota oficial divulgada pelo serviço.

Com a polêmica, muitas pessoas foram ouvir a canção recentemente e a música acabou subindo para o topo da lista “Viral 50” do Spotify. A lista mostra as músicas que tiveram maior crescimento de reproduções em um período curto.

A música foi lançada em setembro do ano passado, em sua primeira versão, no Soundcloud. O funkeiro ainda não se manifestou sobre a polêmica. Ele publicou uma foto no Instagram com bastidores da gravação do clipe e anunciando que o vídeo estará disponível a partir das 21h desta quarta (17).  Um vídeo só com o áudio da música tem mais de 14 milhões de visualizações.

Uma campanha foi feita para o Spotify retirar a música. “Bom dia, Spotify. Gostaríamos de saber se algo será feito em relação a música “Só Surubinha de Leve”. Sabemos que somos um país livre de censura, mas essa música é um atentado ao bom senso e uma explícita propaganda ao estupro. Não é mimimi, é nojo mesmo”, escreveu um perfil do Twitter.

Uma internauta de João Pessoa (PB) postou uma foto maquiada como se tivesse tomado uma surra, segurando um cartaz com versos do funk. “Sua música ajuda para que as raízes da cultura do estupro se estendam. Sua música aumenta a misoginia. Sua música aumenta os dados de feminicídio. Sua música machuca um ser humano. Sua música gera um trauma. Sua música gera a próxima desculpa. Sua música tira mais uma. Sua música é baixa ao ponto de me tornar um objeto despejado na rua”, escreveu a universitária Yasmin Formiga. A postagem teve mais de 120 mil compartilhamentos. “Eu tive que fazer essa manifestação, porque eu não estava mais aguentando essa naturalização (da violência contra a mulher)”, explicou a estudante ao G1 PB. “Eu quero dar um basta”.

Protesto contra funk (Foto: Reprodução)

Também no Twitter um vídeo em que duas jovens cantam uma resposta à música foi postada. “Abusar a mulher é crime, estupro é violência, tira as mãos de cima dela e coloca na consciência; (…) Só um recadinho de leve pra quem fala o que quer, não calo a minha voz pra defender uma mulher”.

 

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